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labRosalux

A Fundação Rosa Luxemburgo, em parceria com o labExperimental convidam para o labRosaluxemburgo 2017. O laboratório será uma experiência com quatro aulas sobre a atualidade do pensamento de Rosa Luxemburgo.

Durante os movimentos Occupy mundo afora (2011), as jornadas de junho (2013) e a ocupação das escolas secundárias no Brasil (2016) vivemos “um momento Rosa Luxemburgo”. Por quê? Uma ideia central do seu pensamento é a de que a emancipação dxs oprimidxs, quer seja de classe, gênero, raça ou sexualidade, só pode ser fruto da ação autônoma das próprias partes interessadas. A liberdade não pode ser outorgada e sim conquistada. Para Rosa, não há sociedade livre sem pessoas livres, não manipuladxs, seja por lideranças políticas, mídia, propaganda, ou, no plano individual, por suas paixões e fantasmas.

O laboratório será composto de 4 aulas:

aula 1 – 22 de setembro das 19 as 21h30
aula 2 – 29 de setembro das 19 as 21h30
aula 3 – 06 de outubro das 19 as 21h30
aula 4 – 17 de outubro das 19 as 21h30

Inscrições para participar presencialmente para pessoas de São Paulo – 12 vagas – e acontecerão na sede da Fundação Rosa Luxemburgo no bairro de Pinheiros, em São Paulo.

Inscrições para participarem online para pessoas de outras cidades e estados do Brasil e países da América Latina, desde que entendam português – 12 vagas

Após as inscrições entraremos em contato com os selecionados para uma breve conversa online.

AS INSCRIÇÕES VÃO ATÉ 15/09 E O RESULTADO SERÁ PUBLICADO NO DIA 18/09.

Infos: lab@labexperimental.org

Gestão do Caos

Palestra Gestão do Caos e Remixologia em Santa Catarina 

Gestão do Caos, ou, como a gente continua produzindo arte e cultura mesmo em tempos onde ser artista é um ato de ativismo! Agora em Julho, a palestra/conversa nos Sescs

FLORIANÓPOLIS
20/07 (qui), às 19h30: Teatro do Sesc Prainha – Travessa Siryaco Atherino, 100, Centro (48) 3229-2200

LAGUNA
21/07 (sex), às 19h30: Laguna – Cine Teatro Mussi – Rua Engenheiro Colombo Machado Salles, s/n, Centro Histórico (48) 3644.0152

ITAJAÍ
22/07 (sáb), às 19h30: – Teatro do Sesc em Itajaí – Rua Almirante Tamandaré, 259, Centro (47) 3249.3850

JOINVILLE
23/07 (dom), às 19h30: Teatro do Sesc em Joiville – Rua Itaiópolis, 470 – Bairro América (47) 3249.3850

JARAGUÁ DO SUL
25/07 (ter), às 19h30: Jaraguá do Sul – Teatro do Sesc em Jaraguá do Sul – Rua Jorge Czerniewicz, 633 (47) 3275.7800

LAGES
27/07 (qui), às 19h30: Lages – Centro Cultural Vidal Ramos Rua Vidal Ramos Júnior, 152, Centro (49) 3222.3936

CHAPECÓ
28/07 (sex), às 19h30: Chapecó – Teatro do Sesc em Chapecó – Rua Brasília, 475D, Jardim Itália (49) 3319.9100

Parte 1 – modelos de organização

  • PESSOAS – o que faz pessoas acreditarem e se engajarem em experiências culturais e artísticas?
  • DINHEIRO – como planejar um financiamento misto para cada projeto não dependa de apenas uma fonte, como os editais por exemplo.
  • Aqui a gente vai falar de articulação!

Parte 2 –  Ocupação do espaço público

  • INTERNET – A internet é um espaço público?
  • ESPAÇO PÚBLICO – Aproveitamos ao máximo o que os recursos públicos nos oferecem? Praças, parques, teatros públicos?
  • Aqui a gente vai conversar sobre ecossistema da cultura e suas potencialidades

Parte 3 – Mídia Livre

  • GERAÇÃO DE CONTEÚDO ONLINE – sua obra produz debate e reverbera?
  • A comunicação pode ser obra de arte?

Parte 4 – Remixologia

  • Como produzir conteúdos licenciados de maneira livre, creative commons, que podem ser remixados nos trabalhos culturais?
  • Também vamos estudar alguns casos de crowdfunding, isso é, de financiamento coletivo para ações culturais.

Contato: lab@labexperimental.org

Gestão do Caos no SESC CPF

Nos dias 10 a 13 de julho de 2017, realizamos no Sesc CPF o workshop Gestão de Espaços Culturais Colaborativos, que chamamos também de Gestão do Caos!

Workshop elaborado através da experiência e registro das práticas de gestão de espaços e processos colaborativos que acontecem desde 2010 no Condomínio Cultural. A gestão de um espaço independente é um desafio constante no cenário da gestão cultural, envolvendo pessoas, equipamentos, programação, comunicação, o próprio espaço físico, sua manutenção e memória. O workshop pretende revelou experiências de colaboração cultural, perspectivas de inovação em gestão e sustentabilidade. Como convidado especial, o espaço cultural Vila Flores de Porto Alegre participou do workshop.

Condomínio Cultural (SP)
Associação de artistas e pessoas interessadas em discutir formas e potencialidades de convivência. Qualificada como Organização da Sociedade Civil de Interesse Público – OSCIP e credenciada como Ponto de Cultura, ocupa um antigo prédio na Vila Anglo Brasileira, onde também já funcionou uma escola e um hospital até o ano de 1995.

Em 2010, depois de 15 anos de abandono, o local passa a ser transformado por meio da ocupação de diversos grupos e artistas, com o desejo de transformar o um espaço em um lugar de liberdade e de fluxo, livre e aberto a criação e a experimentação, onde ideias e pessoas sejam motivadas a se juntarem, passando por diferentes formas de organização.

Associação Cultural Vila Flores (RS)                                                                       Associação sem fins lucrativos,  responsável pela programação cultural do espaço e pela articulação junto ao poder público, à iniciativa privada e à sociedade em prol dos interesses da comunidade artística e criativa do Vila Flores, buscando promover a integração com a comunidade do entorno, localizado em Porto Alegre (RS) em um conjunto, construído entre os anos 1925 e 1928 pelo engenheiro-arquiteto Joseph Franz Serrafa Lutzenberger.

http://centrodepesquisaeformacao.sescsp.org.br/atividade/gestao-de-espacos-culturais-colaborativos

Oficina de mobilização criativa de recursos

Curso elaborado através de pesquisas e experiências práticas de gestoras culturais que experimentaram variados tipos de captação de recursos através de Crowdfunding, Matchfunding, relação com fundações internacionais e outras possibilidades que fogem dos tradicionais editais e leis de incentivo.

QUANDO?

Dias 17 e 17 de janeiro – SESC CPF/ São Paulo – REALIZADO

Dia 10 de maio – Condomínio Cultural – SP – REALIZADO

Dia 24 de junho – Condomínio Cultural – SP – ABERTO

 

Nesse link a pesquisa sobre Matchfunding para download:

Matchfunding

O desafio no cenário de inovação em captação de recursos é uma constante no dia-a-dia do gestor cultural, onde Crowdfunding e Matchfunding são modalidades que crescem no contexto nacional e internacional, e que são ainda pouco exploradas pelos financiadores brasileiros.

TEMAS ABORDADOS

Prática e Conteúdo

Captações tradicionais e alternativas

Onda Colaborativa e Captação Coletiva

Crowdfunding e Matchfunding

Criatividade na forma de ver um projeto

Pré produção e pós produção também são recursos

Gestores culturais influenciam patrocinadores

Leis de Incentivo

Redes de Contato

Comunicação para sustentabilidade

Planejamento e comunicação são a base para provocar encontros, diálogos e novas construções no campo da colaboração cultural e também são abordados.

PÚBLICO ALVO

Produtores e gestores de projetos culturais, sociais, educativos, ativistas e ambientais.

METODOLOGIA

É baseada em apresentações de casos práticos que subverteram as lógicas mais tradicionais de captações de recursos e obtiveram sucesso. Assim, após os casos, são apresentados os conceitos por trás de tais experiências, de forma a proporcionar um aprendizado mais dedutivo, menos expositivo e unidirecional. A troca de experiências, portanto, é estimulada durante todas as etapas, já que o público alvo costuma trazer bagagens pessoais que complementam o conteúdo, e possibilitam um coaching colaborativo entre os projetos da turma. Duas atividades práticas visam amalgamar o conteúdo do dia, de maneira prática e útil após o término da formação.

A principal meta da atividade é fazer com que os projetos sejam olhados de uma forma ampliada, criativa e atrativa para diferentes fontes de recursos.

 

JONAYA DE CASTRO

Gestora cultural e idealizadora do labExperimental.org, coautora do Guia “Inspirador” com o Instituto Goethe e MinC e da publicação “Matchfunding, Captação Criativa”, financiada via PROAC de Economia Criativa da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo.

DANIELA TEIXEIRA

Foi gestora cultural do movimento Pimp my Carroça, e coautora da publicação “Matchfunding, Captação Criativa”, financiada via PROAC de Economia Criativa dSecretaria de Cultura do Estado de São Paulo. Trabalhou na Secretaria de Economia Criativa do Ministério da Cultura.

MAIS INFOS

lab@labexperimental.org

Workshop Inspirador 1.2

Como remixar bicicleta, reciclagem e comunicação colaborativa em um projeto sustentável?

Três dias de produção cultural com Lorena Vicini, do Instituto Goethe, e Jonaya de Castro, do labExperimental, no Condomínio Cultural, 24, 25 e 26 de abril.

O Workshop “PRODUÇÃO CULTURAL : DÁ PRA FAZER DIFERENTE? é baseado na publicação INSPIRADOR de produção cultural de iniciativa do MinC e Goethe Institut, sobre o planejamento de projetos pensando de forma colaborativa e prática. A pesquisa foi publicada em 2015 e esse ano sai a versão 1.2 em inglês com atualizações internacionais 🙂 que será publicada em maio.

http://condominiocultural.org.br/2017/03/inspirador-1-2/

Ou é mídia ou é livre!

A videoaula de Paulo Markun, jornalista e ex-presidente da TV Cultura, propõe uma reflexão sobre o alcance das alternativas de comunicação, que chamamos de mídia livre.

“Não basta a criatividade, você precisa ter meios de apuração da informação… o wikileaks é um bom exemplo de disrupção desse processo, justamente porque a possibilidade de distribuição da informação livremente faz com que ela seja subversiva… ”

“Nos estamos vivendo um outro problema que é a concentração de audiência em poucos plataformas, como o Facebook… e que são plataformas que são grandes concentradoras de recursos mas não aplicam esses recursos na produção de conteúdo…”

#CYBERQUILOMBO
É um curso de formação livre que remixa cultura digital e africanidade, e investiga e aplica intervenções criativas em ambientes educacionais no tema africanidades e relações etnico raciais, além de produzir conteúdos digitais, voltados para o aprimoramento de professores e estudiosos em geral, a cerca do tema Africanidades.
Queremos facilitar a aplicação da lei: 10.639/03 , assinada e promulgada em 2003 que define que a temática afro-brasileira é obrigatória nos currículos dos ensinos fundamental e médio, pretendemos, a partir das oficinas e intervenções promovidas pelos oficineiros participantes do CyberQuilombo, aplicar pílulas de ações dentro das escolas que promovam reflexões sobre a importância da participação do negro na nossa sociedade.

Inscreva-se no canal do youtube para receber os próximos vídeos: youtube.com/labexperimentalorg

ESTÁ NO AR! Videoaulas de Djamila Ribeiro e de Mikael Freitas no labExperimental

Subimos essa semana mais dois vídeos que compõem a BIBLIOTECA ONLINE LABEXPERIMENTAL.ORG. A meta para 2016 é construir uma galeria com 40 videoaulas que promovam positivamente o debate sobre direitos humanos, gênero, africanidades, relações étnico raciais e liberdade de expressão. Nossa biblioteca já conta com 6 videoaulas produzidas através dos registros dos Cursos de Formação Livre do labE: CyberQuilombo e Mulheres na Política.

Feminismo Negro e Filosofia“, é a videoaula da filósofa e feminista Djamila Ribeiro para o curso Mulheres na Política,  formação livre do labexperimental.org destinada a interessades em desenvolver habilidades de arte-educação, educomunicação e processos colaborativos em conjunto com adolescentes, jovens e adultos em escolas e centros culturais sobre igualdade em direito de gêneros.
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“A Não Violência como ação política”, é a videoaula de Mikael Freitas, mestre em Sistemas Complexos pela Universidade de São Paulo e integrante da Escola de Ativismo, que apresentou uma fala no curso CyberQuilombo, formação livre que remixa africanidades com cultura digital. A temática da Não Violência faz parte dos estudos de modelos de organização, um dos eixos do labExperimental.
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Assista aos demais vídeos da nossa galeria:
Música Negra e Movimento Black Power – Eugênio Lima
https://www.youtube.com/watch?v=ukEAYg_TJBo

Oralidade e Literatura Negra Contemporânea – Allan da Rosa
https://www.youtube.com/watch?v=FdKTDp_JOHU

Mulher Negra e Feminismo – Bergman de Paula
Ocupação do Espaço Público – Laura Sobral

“A Não Violência como ação política”, com Mikael Freitas

“Quando tiram a minha humanidade, quando o Estado me priva de eu ser eu mesmo, quando me rebaixa, quando me coloca na situação do outro, quando me trata como coisa, essa é uma das piores violências que a gente pode sentir”

vídeo-oficina online sobre “não violência”

“A Não Violência como ação política”, é a vídeo-oficina online de Mikael Freitas, mestre em Sistemas Complexos e integrante da Escola de Ativismo, que apresentou uma fala no curso CyberQuilombo, O processo é uma Formação Online de Oficineiros que acontece via hangout, e que remixa africanidades com cultura digital. A temática da Não Violência faz parte dos estudos de modelos de organização, um dos eixos do labExperimental.

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“A primeira coisa quando a gente fala em não violência é olhar pro mundo à nossa volta e perceber onde está a violência e quem é o agente dessa violência. Tem a violência física, por exemplo, se eu vou sair na rua para defender alguma coisa que acredito e eu apanho de cacetete da polícia ou do estado. Tem a violência simbólica, do discurso, de alguém falando que de fato está indo diretamente contra a minha pessoa e não é uma questão mais de opinião. E tem também  a violência estrutural. O Estado é violento desde o discurso, desde a estrutura, quando ele coloca na TV uma certa realidade, ou quando ele afeta nossas crenças, origens, nossa história”. Militantes como Martin Luther King e Gandhi são citados na fala, e servem de pesquisa para aprofundarmos no tema.

Assista aqui: https://www.youtube.com/watch?v=5kB2mqls35M

CYBERQUILOMBO

< Queremos facilitar a aplicação da lei: 10.639/03 >

Com base na Lei nº 10.639, assinada e promulgada em 2003 que define que a temática afro-brasileira é obrigatória nos currículos dos ensinos fundamental e médio, pretendemos,  a partir das oficinas e intervenções promovidas pelos oficineiros participantes do CyberQuilombo, aplicar pílulas de ações dentro das escolas que promovam reflexões sobre a importância da participação do negro na nossa sociedade.

Dentro das discussões pedagógicas em torno da lei são identificados diversos desafios para o cumprimento pelas escolas. Um deles é a falta de material dos professores para abordarem o assunto de maneira teórica e prática sem reproduzir os preconceitos existentes nos livros didáticos que narram a história do negro através de um olhar branco eurocentrista. Partindo dessa informação, pretendemos através das vídeo-oficinas a partir da documentação das falas dos palestrantes convidados contribuir com processo de criação de conteúdo sobre a temática afro, a fim de que as mesmas possam ser utilizadas para estudos online de professores do ensino básico interessados em aplicar a lei 10.639/03, e estudiosos e curiosos em geral.

O LabExperimental é um projeto online de formação livre, pautado no debate de cultura de rede, sistematizado em quatro eixos: modelos de organização, ocupação do espaço público, mídia livre e remixologia. De 2013 a 2016, produzimos 7 edições do curso de formação online.

mais infos: http://labexperimental.org/cyberquilombo/

 

Proposta de workshop Inspirador

Workshop INSPIRADOR, dá pra fazer produção cultural de outro jeito

O workshop é baseado no Inspirador  (www.goethe.de/ins/br/lp/pro/Inspirador.pdf), iniciativa do Instituto Goethe e Ministério da Cultura, com conteúdo resultante de muitas rodas de conversa com produtores culturais independentes e makers para repensar e exercitar um jeito sustentável de fazer eventos culturais.

foto inspirador 1

Baixe a apresentação em pdf:

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software livre como editor de texto faz diferença na sua escrita?

( Artigo de Sávio L. Lopes, integrante do labE Cyberquilombo 1, pesquisador na área de comunicação e poder)

Comunicação, software livre e liberdade. Um dos temas que mais tem me interessado atualmente, além de ser minha área de pesquisa, é o da comunicação. No vasto universo das teorias da comunicação, há uma nobre desconhecida. É a teoria das materialidades da comunicação.

O que essa teoria tem a nos oferecer? Erick Felinto, em um livrinho chamado “Passeando no labirinto: ensaios sobre as tecnologias e as materialidades da comunicação”, definiu assim: “podem ser entendidas como uma tentativa de inserção decidida e metódica do corpo e da matéria no âmbito dos estudos culturais. Seu método de trabalho é eminentemente descritivo e não interpretativo; seu foco são os meios e as instituições que deles fazem uso; seu campo é a materialidade histórica da época em pauta (sempre percebida a partir do prisma de seus discursos e tecnologias dominantes).”

Em primeiro lugar, a teoria das materialidades da comunicação tenta se inserir no campo dos estudos culturais. Em segundo, o seu método, enquanto teoria, tem foco na descrição do fenômeno comunicacional, e não na produção de uma interpretação, ou de sentido. Em último lugar, entendemos que tanto meios (de comunicação, por exemplo, aparatos tecnológicos) quanto instituições (que não são físicas, pense na instituição “Estado” e não no prédio que abriga os servidores do Estado) possuem materialidade.

Uma questão que surge quando citamos as materialidades da comunicação é: Será que os equipamentos que utilizamos, e para ser mais exato; os meios e instituições; nos influenciam, ou ainda, nos moldam de alguma maneira?

Para tentar responder essa questão, vamos recorrer à uma história contada por Martin Stingelin. Segundo ele, o filósofo alemão, Friedrich Nietzsche, recebeu de presente uma de suas primeiras máquinas de escrever, chamada esfera de tipos, que era desenvolvida para pessoas com deficiência visual, o que em 1882, se aproximava da situação do filósofo alemão, já que estava cada vez com mais dificuldade de escrever à mão, justamente por dificuldades de enxergar.

Perguntado via carta por Stingelin sobre a influência deste novo tipo de máquina em suas elaborações frasais e conceituais, Nietzsche responde: “Você está certo – nossos instrumentos de escrita funcionam lado a lado com nossos pensamentos”. Segundo a perspectiva adotada por Stingelin, os meios que utilizamos moldam, ou pelo menos nos influenciam em alguma medida. Guardem essa resposta de Nietzsche na gaveta e vamos adicionar mais um integrante em nossa viagem.

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Figura 1: Friedrich Nietzsche

Apresento-lhes Marshall McLuhan, o filósofo canadense e autor do livro “Os meios de comunicação como extensões do homem”. Um de seus capítulos, possui o curioso título: “O meio é a mensagem”. É evidente que não nos cabe nesse pequeno texto, travar a discussão sobre o que são meios, já que o assunto é extenso e pode ser aprofundado a partir das sugestões de leitura que constam ao final desse texto.

Nas palavras do próprio McLuhan: “Primeiro moldamos nossas ferramentas, depois elas nos moldam.” Ou seja, as coisas, meios, instituições, que utilizamos, ou que projetamos, fabricamos e moldamos, também nos moldam. Tirem da gaveta a história de Nietzsche. Assim, passamos à seguinte conclusão: Se os meios que utilizamos (como a máquina de escrever de Nietzsche), trabalham junto com a gente, se eles não são neutros, (Como afirma McLuhan, que o meio é a mensagem) ou seja, possuem um lógica inscrita, usar um determinado tipo de equipamento em detrimento de outro, faz toda diferença, certo?

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Figura 2: Marshall McLuhan

E se por equipamentos e ferramentas entendermos inclusive os softwares que utilizamos? Para produzir um texto, por exemplo, utilizo, além do computador, um software de edição de texto. Se minhas ferramentas me moldam, utilizar um determinado tipo de software para produzir um texto, influenciaria minha escrita, enquanto ao utilizar outro tipo de software eu seria influenciado de outra maneira. Para costurar todas essas pontas, vamos adicionar à nossa viagem o último integrante.

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Figura 3: Richard Stallman

Conheçam Richard Stallman, hacker, criador do movimento software livre e fundador do projeto GNU. Mas afinal, qual a relação do software livre com tudo isso? Em primeiro lugar, o que é software livre? “Por “software livre” devemos entender aquele software que respeita a liberdade e senso de comunidade dos usuários. Grosso modo, os usuários possuem a liberdade de executar, copiar, distribuir, estudar, mudar e melhorar o software. Assim sendo, “software livre” é uma questão de liberdade, não de preço.

Para entender o conceito, pense em “liberdade de expressão”, não em “cerveja grátis””. Alguns parágrafos atrás, afirmamos que o meio, e nesse caso específico, o software não é neutro, que o meio é a mensagem e que os meios possuem uma lógica inscrita, lembram? Pois é, na definição de software de livre, está explicitada a lógica inscrita no software livre: liberdade.

Em contraposição ao conceito de software livre, existe o software privativo. Vejamos sua definição: “O software proprietário, privativo ou não livre é um software para computadores que é licenciado com direitos exclusivos para o produtor.[1] Conforme o local de comercialização do software este pode ser abrangido por patentes, direitos de autor assim como limitações para a sua exportação e uso em países terceiros. Seu uso, redistribuição ou modificação é proibido, ou requer que você peça permissão, ou é restrito de tal forma que você não possa efetivamente fazê-lo livremente… [2] A expressão foi criada em oposição ao conceito de software livre”.

Assim como o software livre e qualquer outro meio, o software privativo possui uma lógica inscrita. Utilizando seu conceito como base, podemos afirmar que essa é a lógica inscrita no software privativo: a lógica da restrição, da limitação, da exclusão. Aqui encerramos e deixamos a seguinte questão em aberto: Por qual lógica vocês desejam ser influenciados (para utilizar o termo de Nietzsche)? Por qual tipo de ferramenta, vocês querem ser moldados (para utilizar o termo de McLuhan)?

Quando escreverem um texto, produzirem uma peça gráfica, gravarem um vídeo, compuserem uma música, que lógica estará trabalhando lado a lado com vocês?

Sávio L. Lopes é pesquisador na área de comunicação e poder.

Para saber mais: FELINTO, E. Passeando no labirinto: ensaios sobre as tecnologias e as materialidades da comunicação. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2006.

MCLUHAN, M. Os meios de comunicação como extensões do homem. São Paulo: Cultrix, 1969.

PROJETO GNU. O que é o software livre?