Na contra mão da concessão, Belém ganha rádio portãooooo

No capítulo 1 da constituição brasileira de 1988, art. 5º, inciso IX, consta que “é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença”.

Entretanto, a quem é garantido esse direito de fato?

E qual espaço é garantido à juventude negra e pobre na Amazônia?

O Brasil (como algumas dezenas de países, especialmente os latino-americanos) é o reino das concessões políticas para veículos de comunicação privados, que não garantem o acesso livre aos seus espaços. Estes são privatizados e o acesso é extremamente fechado, são poucas as vozes presentes e para comunicar é necessário autorização.

Na contra mão dessa mídia hegemônica e corporativa, várias ações surgiram em nossa recente história para criar espaços de livre manifestação política, ideológica, cultural, popular, artística. O aumento do acesso à internet tem contribuído em alguma medida para potencializar a produção de conteudo midiatico e sua difusão .

Os blogs, as redes e as mídias sociais, tem se consolidado como espaços que podem garantir o que a constituição não dá conta: o direito constitucional à livre manifestação. Neles podemos encontrar múltiplas territorialidades e múltiplas vozes que nos dão a real dimensão da nossa polifonia e pluralidade, ainda que não sejam ambientes livres da censura e que muitos sejam criminalizados pelas grandes redes de comunicação.

Em Belém temos alguns bons exercícios, porém a mídia livre, aberta, disponível, também precisa ser protagonizada pela juventude negra e pobre da Amazônia. Seja na ambiência online ou offline, é preciso criar essas mediações. A juventude da periferia amazônica não é atendida pelos veículos tradicionais, ela não ouve sua voz ecoar, nem suas necessidades. E essa juventude é extremamente diversa e plural. Precisamos ir além do convencional.

Buscando contribuir com essa pluralidade e polifonia é que, por meio da formação do LabExperimental, colocaremos “no ar” a Rádio Portão na rua da Olaria, no bairro da Terra Firme, aqui na capital paraense. Ela não precisa de concessão. Não precisa de autorização.
Nosso objetivo é experimentar com esses jovens um exercício de mídia livre, em que as vozes serão as deles, com suas visões, limitações, conquistas, amadurecimento e crescimento, para que compreendam que sua liberdade não deve ser cerceada em nenhum campo social.

texto de Thica Neves Barros e turma do labE (quem tava 🙂

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