Matéria na Porvir

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O espaço onde a construção começa é virtual. Essa é uma das poucas certezas absolutas que fazem parte do Lab.E, o Laboratório de Criatividade, Narrativas e Ação nas Escolas que até o dia 5 de julho está com o seu segundo edital aberto para selecionar interessados, de qualquer parte do Brasil, em desenvolver processos colaborativos com jovens e que bebam na fonte da cultura hacker.

 

Depois da fase de inscrições e da seleção dos 12 oficineiros, tudo passa a ser uma construção, na web e fora dela. Onde e como vão desembocar as ideias, pesquisas e projetos amadurecidos nas 12 oficinas semanais de formação a distância definidas no cronograma não é possível prever no início dos três meses de trabalho. “O que a gente busca como norte é uma intervenção real, organizada pelo oficineiro e pelos participantes das escolas ou comunidades culturais trazidas ao projeto por ele”, explica Jonaya de Castro, coordenadora geral da iniciativa. Os encontros presenciais dos oficineiros com os jovens também são semanais, e neles se desenvolvem as propostas de intervenção local, que devem buscar reflexão e impacto efetivo no espaço que compartilham.

Uma feira, um festival, um mutirão ambiental, uma exposição, um encontro para desenvolvimento de um aplicativo, um produto colaborativo. Qualquer solução que caiba no interesse dos grupos do Labninja pode ser viabilizada. O projeto não destina verba aos participantes e tem como força motriz a mobilização sustentada em formação de rede. “A primeira questão que surge, lá no começo das conversas é: mas nós vamos fazer isso onde? Em que local? E aí vem a discussão sobre todas as possibilidades da cidade, sobre o espaço público. Foi muito interessante ver essa questão ser quase ‘descoberta’ pelos participantes na primeira edição do laboratório”, conta a coordenadora Jonaya.

As intervenções do primeiro Labninja estão acontecendo agora. Em Florianópolis, a discussão resultou em um mapa afetivo da cidade, criado pelos jovens a partir da associação entre lugares e sentimentos que os espaços públicos lhes despertam. Já em Fortaleza, a escolha foi por ocupar e revitalizar um jardim público. Em São Paulo, a intervenção está sendo planejada em formato de exposição fotográfica, e exige que cada um retrate, em imagens, o seu olhar sobre a metrópole. Nas oficinas pelo Brasil, diferentes caminhos são traçados a partir desse eixo temático “espaço público” e dos outros três que baseiam o laboratório: remixologia, mídia livre e  modelos de organização.

A remixologia, esse conceito tão significativo na cultura livre, está presente para garantir que ninguém vai usar fórmulas ou conceitos prontos se essa utilização não fizer muito sentido. “Na primeira turma do Labninja, tivemos convidados para conversar com os oficineiros. Em duas das conversas, o tema ‘movimentos sociais’ foi abordado sob olhares completamente diferentes por dois dos convidados. Os oficineiros ficaram um pouco confusos. Expliquei que não havia o certo e o errado, e que remixar era justamente pegar o que para eles fazia sentido em cada uma daquelas visões apresentadas pelos convidados e construir a própria abordagem, influenciados por sua vontade, pelo ambiente em que estão”, explica Jonaya.

 

 

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