Arquivo da categoria: estudo livre

Gestão do Caos

Palestra Gestão do Caos e Remixologia em Santa Catarina 

Gestão do Caos, ou, como a gente continua produzindo arte e cultura mesmo em tempos onde ser artista é um ato de ativismo! Agora em Julho, a palestra/conversa nos Sescs

FLORIANÓPOLIS
20/07 (qui), às 19h30: Teatro do Sesc Prainha – Travessa Siryaco Atherino, 100, Centro (48) 3229-2200

LAGUNA
21/07 (sex), às 19h30: Laguna – Cine Teatro Mussi – Rua Engenheiro Colombo Machado Salles, s/n, Centro Histórico (48) 3644.0152

ITAJAÍ
22/07 (sáb), às 19h30: – Teatro do Sesc em Itajaí – Rua Almirante Tamandaré, 259, Centro (47) 3249.3850

JOINVILLE
23/07 (dom), às 19h30: Teatro do Sesc em Joiville – Rua Itaiópolis, 470 – Bairro América (47) 3249.3850

JARAGUÁ DO SUL
25/07 (ter), às 19h30: Jaraguá do Sul – Teatro do Sesc em Jaraguá do Sul – Rua Jorge Czerniewicz, 633 (47) 3275.7800

LAGES
27/07 (qui), às 19h30: Lages – Centro Cultural Vidal Ramos Rua Vidal Ramos Júnior, 152, Centro (49) 3222.3936

CHAPECÓ
28/07 (sex), às 19h30: Chapecó – Teatro do Sesc em Chapecó – Rua Brasília, 475D, Jardim Itália (49) 3319.9100

Parte 1 – modelos de organização

  • PESSOAS – o que faz pessoas acreditarem e se engajarem em experiências culturais e artísticas?
  • DINHEIRO – como planejar um financiamento misto para cada projeto não dependa de apenas uma fonte, como os editais por exemplo.
  • Aqui a gente vai falar de articulação!

Parte 2 –  Ocupação do espaço público

  • INTERNET – A internet é um espaço público?
  • ESPAÇO PÚBLICO – Aproveitamos ao máximo o que os recursos públicos nos oferecem? Praças, parques, teatros públicos?
  • Aqui a gente vai conversar sobre ecossistema da cultura e suas potencialidades

Parte 3 – Mídia Livre

  • GERAÇÃO DE CONTEÚDO ONLINE – sua obra produz debate e reverbera?
  • A comunicação pode ser obra de arte?

Parte 4 – Remixologia

  • Como produzir conteúdos licenciados de maneira livre, creative commons, que podem ser remixados nos trabalhos culturais?
  • Também vamos estudar alguns casos de crowdfunding, isso é, de financiamento coletivo para ações culturais.

Contato: lab@labexperimental.org

Workshop Inspirador 1.2

Como remixar bicicleta, reciclagem e comunicação colaborativa em um projeto sustentável?

Três dias de produção cultural com Lorena Vicini, do Instituto Goethe, e Jonaya de Castro, do labExperimental, no Condomínio Cultural, 24, 25 e 26 de abril.

O Workshop “PRODUÇÃO CULTURAL : DÁ PRA FAZER DIFERENTE? é baseado na publicação INSPIRADOR de produção cultural de iniciativa do MinC e Goethe Institut, sobre o planejamento de projetos pensando de forma colaborativa e prática. A pesquisa foi publicada em 2015 e esse ano sai a versão 1.2 em inglês com atualizações internacionais 🙂 que será publicada em maio.

http://condominiocultural.org.br/2017/03/inspirador-1-2/

Cyberquilombo nas escolas | Multiplicando

No dia 17 de março, foi dia de conhecer, pensar e discutir cultura afrobrasileira e relações raciais no Brasil, na Escola Estadual Rui Bloem, no Bairro de Mirandópolis.

A atividade foi organizada pela professora de sociologia Sirlene Verginio, que através de exibições das vídeos aulas do labExperimental, “Música Negra e Movimento Black Power” e “Espaço Público e Memória”, conduziu rodas de conversas com os alunos após as seções dos vídeos.

Ao todo mais de 300 alunos participaram das dinâmicas que, a partir das falas apresentadas nas videoaulas, convidavam para uma reflexão acerca da participação dos negros na construção cultural dos países da diáspora negra – países além África que receberam migração forçada de negros africanos escravizados -, e sobre a importância da valorização das memórias e dos nomes dos grandes personagens negros da história do Brasil na construção de referências simbólicas que possam ocupar os imaginários de resistência negra de forma positiva.

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No dia 02 de março foi a vez da artista negra, Jô Pereira tomar a cena com as crianças da escola E.E. Brasilio Machado, escola que fica localizada no bairro da Vila Madelena e atende crianças do fundamental um. Numa ação lúdica a artista Jo Pereira narrou e interpretou com a participação dos alunos do 2º ano (7/8 anos) a história dos diversos penteados afros,  partindo das transas e adereços de um grupo de crianças de uma aldeia africana fictícia, até chegar às diversidades de penteados contemporâneos, passando pelos grandes e armados cabelos crespos que dão forma ao black power, cabelos coloridos e arrojados e cabelos crespos alisados. O desfecho foi pontuado quanto à diversidade de misturas do povo brasileiro, as diferenças mestiçagens dos negros brasileiros, e o respeito às diferenças de toda e qualquer pessoa, no que se refere à etnia, terminando com a reflexão de que o cabelo do negro ou da negra pode ser como eles quiserem desde que se sintam bem com ele e a importância do respeito às nossas diversidades.

A ação foi registrada pela Secretária Estadual de Educação. Confira no video: https://www.youtube.com/watch?v=efIocXZUd8M

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No Bairro do Rio Pequeno, a Cyberquilombola Jessica Cerqueira conduziu junto aos alunos do Cursinho Popular do Rio Pequeno, uma roda de conversa sobre memória a partir da exibição da vídeo aula do labExperimental “Espaço Público e Memória”, e depois cada participante produziu uma mapa afetivo das suas memórias familiares que constituem suas identidades.

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A arte educadora Thais Chocolate realizou uma atividade chamada Auto-Retrato, junto a mais de 60 alunos do CCA que fica localizado na periferia da zona norte, que consistia em observar-se no espelho compreender e retratar suas características, afim de identificar sua identidade negra ou origem. A partir de questionamentos sobre qual seria o melhor tom de lápis para retratar cada tipo de pelo, entre outros, Chocolate conduziu de forma sutil uma breve reflexão sobre estetica e pertencimento com os alunos. A arte educadora tem planos de realizar a mesma atividade com uma turma de adultos “pois mesmo adultos e mais conscientizados acerca das problemáticas sociais muito de nós nos encontramos nos campos de não pertencimento.”

 

Curso de Formação livre Cyberquilombo

 

As ações foram propostas como Ação de Conclusão do Curso Cyberquilombo, um laboratório de cultura digital e africanidades, destinado a interessados em desenvolver habilidades de arte-educação, educomunicação e processos colaborativos em conjunto com adolescentes, jovens e adultos em escolas e centros culturais, no tema Africanidades.

O laboratório de 10 encontros é facilitado pela equipe do labExperimental e a cada encontro recebe um convidado para falar sobre modelos de organização, ocupação de espaços públicos, mídia livre e remixologia – que fazem parte do laboratório de criatividade e cultura digital e conteúdos da temática afro que contextualizam os participantes e auxiliam a pensarem a melhor forma de gerar uma ação comprometida com a importância e complexidade do tema Africanidades.

 

Lei 10.639/03

Queremos facilitar a aplicação da lei: 10.639 , assinada e promulgada em 2003 que define que a temática afro-brasileira é obrigatória nos currículos dos ensinos fundamental e médio. Pretendemos, a partir das oficinas e intervenções promovidas pelos oficineiros participantes do Cyberquilombo, aplicar pílulas de ações dentro das escolas que promovam novas olhares sobre as histórias dos negros na nossa sociedade.

 

Videoaulas

A nossa meta para 2016 é construir uma galeria com 40 videoaulas que promovam positivamente o debate sobre direitos humanos, gênero, africanidades, relações étnico raciais e liberdade de expressão. Nossa biblioteca já conta com 9 videoaulas produzidas através dos registros dos Cursos de Formação Livre do labE: #CYBERQUILOMBO E #MULHERESNAPOLITICA

 

Inscreva-se no canal do youtube para acompanhar os lançamentos: youtube.com/labexperimentalorg

 

Videoaula: “Espaço Público e Memória”, com Alexandre Bispo

“Quem memoriza, memoriza contra o esquecimento. O Emanuel Araujo, idealizador do Museu Afro Brasil, fez uma exposição chamada “Para nunca esquecer”, justamente chamando atenção pro processo de esquecimento das trajetórias de populações negras no Brasil”.

Espaço Público e Memória“, com Alexandre Bispo,Doutorando em Antropologia Social pela Universidade de São Paulo, Diretor da Divisão de Ação Cultural e Educativa do Centro Cultural São Paulo. Membro do conselho editorial da revista Omenelick 2º Ato, é a sexta videoaula do CyberQuilombo, Curso de Formação Online de Oficineiros LabE, que remixa africanidades com cultura digital.

“Quando a gente pensa na quantidade de homens e mulheres negras que morreram no Brasil, que é muito assustador, são mais de 4 milhões de pessoas ao longo de 300 anos, a gente pode o seguinte: nossa como que a gente faz pra lidar com esse trauma histórico dentro do nosso pais? Uma das ações que a gente tá fazendo de reconhecimento dessa memória violenta, por exemplo, é a criação de cotas, uma das maneiras da gente reparar ações de larga escala de violência contra uma população.”

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Sobre o contexto de ocupação do espaço público, Bispo diz: “a gente tem memórias sendo produzidas. Essas memórias, elas estão dentro da cidade, elas identificam a cidade. Agora, para que as memórias continuem fazendo sentido as pessoas precisam saber que elas existem. Quando a gente pensa nos descendentes de italianos, nos descendentes de alemães no Brasil, eles tem todo um orgulho de falar do passado deles. Sem contar que gostam de falar que o bisavô chegou aqui, passou pela hospedaria dos imigrantes…  toda aquela narrativa de sucesso também. A Pompéia, por exemplo, se a gente for ver os nomes das sua ruas é muito significativo, você vai ver toda uma parte da Pompéia que é de ascendência italiana. (…) E os nomes negros a gente tem? (…) Quantas pessoas será que sabem que a Avenida Rebouças e a Rua Teodoro Sampaio homenageiam homens negros? Talvez essa fosse uma boa pergunta pra gente se fazer.”

#CYBERQUILOMBO

>>Queremos facilitar a aplicação da lei: 10.639/03

Com base na Lei nº 10.639, assinada e promulgada em 2003 que define que a temática afro-brasileira é obrigatória nos currículos dos ensinos fundamental e médio, pretendemos,  a partir das oficinas e intervenções promovidas pelos oficineiros participantes do CyberQuilombo, aplicar pílulas de ações dentro das escolas que promovam reflexões sobre a importância da participação do negro na nossa sociedade.

Dentro das discussões pedagógicas em torno da lei são identificados diversos desafios para o cumprimento pelas escolas. Um deles é a falta de material dos professores para abordarem o assunto de maneira teórica e prática sem reproduzir os preconceitos existentes nos livros didáticos que narram a história do negro através de um olhar branco eurocentrista. Partindo dessa informação, pretendemos através das vídeo-oficinas a partir da documentação das falas dos palestrantes convidados contribuir com processo de criação de conteúdo sobre a temática afro, a fim de que as mesmas possam ser utilizadas para estudos online de professores do ensino básico interessados em aplicar a lei 10.639/03, e estudiosos e curiosos em geral.

O LabExperimental é um projeto online de formação livre, pautado no debate de cultura de rede, sistematizado em quatro eixos: modelos de organização, ocupação do espaço público, mídia livre e remixologia. De 2013 a 2015, produzimos 5 edições do curso de formação online.

ESTÁ NO AR! Videoaulas de Djamila Ribeiro e de Mikael Freitas no labExperimental

Subimos essa semana mais dois vídeos que compõem a BIBLIOTECA ONLINE LABEXPERIMENTAL.ORG. A meta para 2016 é construir uma galeria com 40 videoaulas que promovam positivamente o debate sobre direitos humanos, gênero, africanidades, relações étnico raciais e liberdade de expressão. Nossa biblioteca já conta com 6 videoaulas produzidas através dos registros dos Cursos de Formação Livre do labE: CyberQuilombo e Mulheres na Política.

Feminismo Negro e Filosofia“, é a videoaula da filósofa e feminista Djamila Ribeiro para o curso Mulheres na Política,  formação livre do labexperimental.org destinada a interessades em desenvolver habilidades de arte-educação, educomunicação e processos colaborativos em conjunto com adolescentes, jovens e adultos em escolas e centros culturais sobre igualdade em direito de gêneros.
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“A Não Violência como ação política”, é a videoaula de Mikael Freitas, mestre em Sistemas Complexos pela Universidade de São Paulo e integrante da Escola de Ativismo, que apresentou uma fala no curso CyberQuilombo, formação livre que remixa africanidades com cultura digital. A temática da Não Violência faz parte dos estudos de modelos de organização, um dos eixos do labExperimental.
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Assista aos demais vídeos da nossa galeria:
Música Negra e Movimento Black Power – Eugênio Lima
https://www.youtube.com/watch?v=ukEAYg_TJBo

Oralidade e Literatura Negra Contemporânea – Allan da Rosa
https://www.youtube.com/watch?v=FdKTDp_JOHU

Mulher Negra e Feminismo – Bergman de Paula
Ocupação do Espaço Público – Laura Sobral

“Memória e Espaço Público” no #CyberQuilombo_SP

Na quarta-feira passada, dia 02 de dezembro, recebemos o Antropólogo Alexandre Bispo, para um bate papo sobre “Memória e Espaço Público”, no terceiro encontro do ‪#‎CyberQuilombo_SP‬

Alexandre, que é coordenador do Núcleo de Ação do Educativa do Centro Cultural São Paulo e foi curador da Exposição Medo Fascínio e Repressão, sobre o e perseguição sofrida pelos terreiros de Xangô em Pernambuco, na década de 30, comandou a roda de conversa sobre a importância de se ter monumentos que retratam a história do negro no Brasil, e como esses monumentos podem ajudar a manter vivas essas histórias.

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Bispo, mostra album de fotos de familia negra paulista que ele pesquisa.

Outra questão importante levantada foi o fato de nomes de personagens negros que tiveram importante participação na história do Brasil serem apagados da história, ou quando esses tem seus nomes reconhecidos, o imaginário racista que permeia nossa sociedade trata de embranquece-los. Fato que, por muitas vezes, dificulta com que esses nomes sejam associados aos movimentos de resistência negra. Deixam também de cumprir uma função fundamental na formação da identidade de qualquer grupo, que é a representatividade e a referência de figuras positivas na história.

Lembramos também algumas ruas de São Paulo que levam nomes de personagens negros importantes, mas que muitos nem sabem que são negros.

Rua Theodoro Sampaio, que fica no Bairro de Pinheiros; Av. Rebouças, que cruza boa parte da Zona Oeste de SP; Rua Machado de Assis, Vila Mariana; Rua Mario de Andrade, na Barra Funda e Rua Lima Barreto, no Bairro do Ipiranga.

Ocupação do espaço público – A Batata Precisa de Você, com Laura Sobral

“Intervenções que dessem esse sentimento de pertencimento das pessoas com o lugar pra gerar cuidado. A partir dessa geração de cuidado você estabelece outra relação com a cidade, e os lugares ficam mais vivos e mais interessantes”

OCUPAÇÃO DO ESPAÇO PÚBLICO – A BATATA PRECISA DE VOCÊ,  é a vídeo-oficina online de Laura Sobral, que conta a trajetória do espaço do Largo da Batata, no curso CyberQuilombo, Formação Online de Oficineiros LabE, que remixa africanidades com cultura digital.

Laura conta a trajetória do espaço do Largo da Batata, desde sua época onde acontecia um mercado livre, a reforma interminável do Largo e a intervenção contínua do coletivo A Batata Precisa de Você.

“Formulada em 1997, na gestão do então prefeito Paulo Maluf, a Operação Urbana Faria Lima foi formatada para padronizar a área da Nova Faria Lima e do Mercado de Pinheiros até o Rio Pinheiros, incluindo o Largo da Batata, no padrão da Faria Lima, avenida sede de instituições corporativas e financeiras. Essa obra durou mais de 10 anos e o Largo foi aberto para utilização no ano passado, em 2013. Depois de mais de 150 milhões investidos, o Largo, antes um lugar vivo pelo intenso comércio ambulante e vida nas ruas, tinha se transformado em um deserto, sem árvores de porte que proporcionassem sombra nem nenhum mobiliário urbano além dos postes de iluminação”, trecho do site http://largodabatata.com.br/a-batata-precisa-de-voce/

“Por que a gente considera o facebook um espaço público também? Pela quantidade de pessoas que estão ali no grupo da batata…, e tudo é discutido antecipadamente no mundo virtual… As duas coisas se fortalecem”.

Saiba mais sobre a ação do grupo A BATATA PRECISA DE VOCÊ na publicação disponível em pdf: http://largodabatata.com.br/publicacao/

 

 

 

Museus e gênero

artigo de Paola Maués, integrante da formação livre  “Mulheres na Política”

Os museus, em sua maioria ( e desde sua ‘invenção’) são espaços de poder a serviço do patriarcado. Muito já foi dito sobre os museus como locais de celebração da memória do poder, que representam determinados interesses políticos de indivíduos e/ou grupos sociais, étnicos, religiosos ou econômicos privilegiados. Configuram-se, na maioria das vezes, como espaços pouco democráticos, onde prevalece o argumento da autoridade.

Não é à toa que muitos museus estão sediados em edifícios que um dia estiveram ligados a instâncias que se identificam ou se nomeiam como sedes do poder, ou residência de homens poderosos – historicamente são as memórias masculinas que estão associadas ao poder.

O que prepondera são coleções personalistas, etnocêntricas e androcentristas, tratadas como se fossem a expressão da totalidade das coisas e dos seres, como se pudessem expressar o real em toda a sua complexidade. Estes esquemas simplistas e universalizantes banem o conflito através da ‘aura’, de conceitos puristas de autenticidade e excludência. Museus geram e reproduzem hierarquias, relações de dominação e desigualdade sociais.

O museu é um campo onde se articulam dois movimentos da memória: um que se dirige ao passado e lá se cristaliza, como lembrança reificada e saturada de si mesma sem possibilidade de criação e inovação.; memória não questionada, tida como verdade absoluta; comemoração da ordem estabelecida e de valores culturais dados e valorados de forma hierárquica; e outro que se orienta para o presente, como uma espécie de contramemória, se articulando com a vida.

A vitória do primeiro sobre o segundo se configura como a perda da utopia, a perda dos sonhos, incredulidade no poder de agir e modificar a ordem estabelecida.

Nada possui valor em si: todos os valores são inventados pelos humanos. os bens culturais são significados e ressignificados de forma interrelacional entre os seres, e entre os seres e as coisas. Neste sentido, o museu deve atuar como agente de problematização da memória e da história, gerando então o conflito para contestar o status quo.

O que frequentemente vemos são coleções associadas ao poder em seus mais variados estratos: poder político, poder religioso, poder militar, poder econômico, sempre relacionadas ao papel socialmente convencionado à figura masculina, como atuante em meios produtivos e de controle da produção. Já as mulheres estão representadas relacionadas a domesticidade, relações de parentesco e maternidade, em museus de traje ou exposições etnográficas com reconstituições dos espaços domésticos. isto ocorre pela vivência do espaço público estar relacionada sempre aos homens, e o espaço privado e doméstico associado às mulheres.

O caminho é através da participação e de ações que traem e subvertem a missão original das instituições – transformar os museus em agências capazes de servir e instrumentalizar indivíduos para uma reflexão critica e modificação de sua realidade.

Se faz necessário a genderização* das discussões museológicas: inclusão dos patrimônios femininos e o seu estudo, reinterpretação dos patrimônios já constituídos e musealizados pelo viés das questões de gênero (e  de poder) e alteração dos discursos expógraficos, abandonando a linguagem neutra.  Para museus mais questionadores e menos impositores de verdades.

A relação de homens e mulheres com o patrimônio e o espaço museal não são iguais, e essas relações se diferem mais ainda quando as cruzamos com outras categorias analíticas promotoras de desigualdade, como: poder, etnia, classe, idade, nível de escolaridade, substrato social e cultural. a história dos museus tem forte ranço de exclusão – dos pobres, de determinadas etnias, religiões, e das mulheres; portanto, o que coletar no presente para lembrar das memórias e identidades excluídas?

O trabalho contemporâneo no museu

Analisando o museu como mercado de trabalho, os homens exercitam o papel de pesquisadores e estudiosos, e mulheres exercem seu papel social convencional de educadoras e cuidadoras.

Como mulher, museóloga e atuante na área de educação em museus, acredito que seja importante questionar: como nós mulheres (visivelmente a maior força de trabalho nos museus atuais em termos numéricos) nos interrogamos e nos relacionamos com as coleções que somente representam o universo masculino, ou foram constituídas por homens?

*Museu genderizado – abandono da valorização da obra-prima, da atração pela catástrofe ou\e pelo grande acontecimento histórico, do avanço cientifico, e das expressões que sugerem uma hierarquia dos patrimônios. expressões estas que contribuem para excluir dos museus as ações banais do cotidiano, os grupos minoritários, a sutileza das mudanças e as múltiplas facetas do real.

You're Seeing Less Than Half The Picture 1989 Guerrilla Girls null Purchased 2003 http://www.tate.org.uk/art/work/P78790
You’re Seeing Less Than Half The Picture 1989 Guerrilla Girls null Purchased 2003 http://www.tate.org.uk/art/work/P78790

“você está vendo menos que a metade da imagem/ sem o olhar das mulheres artistas e artistas de cor”.

Cartaz produzido pelo coletivo feminista Guerrilla Girls. 1989.

Informe labE Setembro

SAIU O TERCEIRO VÍDEO DO CYBERQUILOMBO!
O CyberQuilombo foi a quinta edição do Curso de Formação Online de Oficineiros LabExperimental.org e que remixa africanidades com cultura digital. Asas falas dos palestrantes convidados fazem parte do projeto de criação de uma biblioteca de video-oficinas sobre as temáticas de africanidades, cultura digital e diversidade, para que possam ser utilizadas para estudos online por professores do ensino básico interessados em aplicar a lei 10.639/03, e estudiosos e curiosos de todo o Brasil (e quem sabe América Latina).
ASSISTA ao Video 3 – “Oralidade e Literatura Negra Contemporânea” , com o escritor Allan da Rosa.

INSPIRADOR – WORKSHOP DE PRODUÇÃO CULTURAL,
no Condomínio Cultural, dias 06, 08 e 09 de outubro.
O workshop de planejamento é orientado pela ação, a partir do Inspirador***, um guia de produção independente  para colocar a “mão na massa”, iniciativa do MinC e do Goethe Institut. O workshop terá como fio condutor as 6 hashtags (#) do Inspirador, que representam os campos de atuação em todas as fases do cronograma da produção cultural. As práticas se cruzam, se complementam e oferecem um olhar panorâmico sobre o evento. Orientadoras: Isabel Holzl, Jonaya de Castro, Laura Sobral, Lorena Vicini. Link para inscrições e mais infos:  http://goo.gl/forms/P6nE55qXhE
*** O manual pode ser baixado aqui: http://www.goethe.de/ins/br/lp/pro/Inspirador.pdf
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Aviso ao coletivo parceiros: Temos 5 mil Bolinhas, piscinas e EVAs! Quem tiver ideias criativas de como podemos usar as piscinas e as cinco mil bolinhas ou queira usá-las em algum evento ou intervenção é só falar com a gente.  \o/

No dia, 05 de setembro, no Anhangabau, centro de SP, durante o evento SP Na Rua, o labExperimental realizou a intervenção Planetarium. Juntamos três piscinas de bolinhas, um largo espaço para sentar, para brincar e água livre. É no espaço público que reinventamos a cidade! Saiba mais: “Quando adultos viram crianças no meio da rua”
http://labexperimental.org/cidadeparabrincar/
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