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Convidado – Breno Castro Alves

Breno Castro AlvesOutro convidado que tivemos nessa edição do Lab.E foi o Breno Castro Alves. Breno é editor do Espaço Humus, um ateliê digital que trabalha com “produção de conteúdo no meio do caminho entre comunicação e arte”, como eles mesmos se definem, e que se divide em três eixos: arte, política e cultura.

O papo começou com Breno contando um pouco da sua trajetória de vida e seus questionamentos profissionais – o início da sua carreira como jornalista, sua aproximação com educação, seus projetos com cartografia afetiva.

Segundo Breno, a cartografia afetiva é um processo de busca do que cada um de nós reconhece no mundo e o que nos toca. Ao contrário da cartografia tradicional, que leva em contato os espaços físicos e geográficos, a cartografia afetiva mapeia nossas emoções e sentimentos em relação a um determinado local. Os cômodos de uma casa, por exemplo, podem ser maiores ou menores de acordo com a importância que possuem para nós, e não seu tamanho real. A pergunta principal da cartografia afetiva é “o que é tão importante para entrar neste mapa que você está construindo?”. Nela, não existe certo e errado, ela é um mapeamento das relações invisíveis que criamos com o nosso entorno.

Uma parte importante da conversa foi o seu relato sobre um trabalho de cartografia afetiva realizado por ele na escola Canuto do Val, em São Paulo, e que pode ser conferido integralmente aqui. Ele nos contou detalhes do processo e de como a educação formal não leva em conta questões levantadas pela cartografia afetiva e que precisam ser trabalhadas também nos espaços educacionais. Em seguida, discutimos como essa oficina poderia ser realizada pelos oficineiros do Lab.E, com suas respectivas turmas.

Para fechar o encontro, Breno contou sua experiência com o festival de rua Baixo Centro, que trabalha com a perspectiva de ocupação de espaços públicos e sua transformação em ambientes de convivência, mais do que apenas locais de passagem, e que defende que “as ruas são para dançar”.

Convidada – Liane Lira

Liane LiraLogo no começo dessa segunda edição do Lab.E., no dia 11 de setembro, tivemos como convidada Liane Lira, Coordenadora da Rede de Projetos do programa de inclusão digital Acessa SP.

Liane começou a conversa falando sobre seu histórico profissional e sua migração do direito, sua área de formação, para o ativismo digital. Em seguida, iniciou um debate sobre como a internet e as novas tecnologias podem ser utilizadas para transformar a nossa realidade e sobre como estão influenciando os regimes políticos em todo o mundo, e citou o uso de ferramentas consultivas online, a exemplo do que foi feito com o Marco Civil da Internet no Brasil, como exemplo da impacto das tecnologias nos processos democráticos. Outros exemplos levantados foram o Avaaz, site de recolhimento online de assinaturas, e o Vote na Web, que apresenta de forma simplificada os projetos de lei em tramitação no Congresso Nacional.

Outro tema discutido no encontro foi a chamada “crise dos intermediários” nas indústrias fonográficas e editorias, por exemplo, que emergiu com a internet e já há algum tempo discute a necessidade de tantos intermediários na nossa sociedade e o surgimento de modelos de negócios em que artistas e profissionais dialogam diretamente com seu público.

Para fechar o encontro, Liane falou da “Oficina de Projeto de Lei”, no qual os participantes aprendem como se escreve um projeto de lei e os processos envolvidos na sua criação, e explicou como os oficineiros poderiam replicá-la com os jovens do Lab.E.

Equipe da segunda edição do Lab.E

A segunda edição do Lab. Experimental, iniciada na última semana de agosto, conta com 8 oficineiros espalhados por São Paulo-SP, Campinas-SP, Brasília-DF, Goiânia-GO e Macaíba-RN.

Abaixo vocês podem conhecer um pouquinho sobre cada um deles:

Carmem Munhoz – São Paulo/SP

Professora de arte e oficineira desde 1999, Carmem decidiu entrar para o Lab.E para permear seu trabalho de arte educadora com novos modelos de ações, repensar o espaço da escola (público privado), discutir remix, interação, apropriação e acesso e “criar maiores conexões entre o pensar e o agir. Para realizar ações coletivas artísticas e culturais. Para conectar-me e aprender com pessoas.”

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Rodolfo Hollanda – Macaíba/RN

Rodolfo é o primeiro oficineiro a iniciar as atividades do Lab.E nas escolas (logo mais teremos um post sobre isso) e se juntou ao Lab. com o objetivo de aprimorar suas percepções do trabalho de formação livre e educação, além de “experienciar novas formas de produção cultural, ir às comunidades, trabalhar diretamente com jovens carentes e, por fim, perpetuar esse trabalho para que seja uma construção contínua, tanto enquanto pessoa, como enquanto formador livre”.

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Valdir Alves da Costa – Brasília/DF

Professor de Filosofia e Sociologia, Valdir trabalha com gestão e consultoria em projetos de Educação e Cultura nas áreas pública, privada e terceiro setor e se aproximou do  Lab.E para aprimorar a formação livre que já realiza na Universidade do Fora do Eixo (UniFdE), replicar a ideia do Laboratório e fortalecer seu trabalho colaborativo em rede.

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Luiza Helena de Souza Fonseca – Goiânia/GO

Professora que ama ensinar, Luiza viu no Lab.E a possibilidade de criar uma vivência significativa com oficinas culturais, adquirir novas experiências e transmitir para todos ao seu redor o conhecimento aprendido durante a formação livre.

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Jaqueline de Mello Vicente – São Paulo/SP
Jaqueline quer criar um coletivo com oficinas audiovisuais em conjunto com sua antiga professora do ensino médio, na escola pública onde estudou, na Baixada Santista. Por isso, viu no  Lab.E a chance de adquirir a experiência e os conhecimentos necessários para tal e assim conseguir mostrar aos alunos de sua antiga escola que eles são capazes de criar e fazer a diferença.

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Roselene dos Anjos – Campinas/SP

Professora desde 1983, Roselene decidiu se juntar ao Lab.E pela oportunidade de conhecer e desenvolver trabalhos em redes, aprofundar-se nos quatro eixos temáticos e utilizar os conhecimentos e experiências adiquiridos

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Gabriela Nardy – São Paulo/SP

Ativista hacker, integrante do coletivo Ônibus Hacker e oficineira do  Lab.E desde a primeira edição, Gabriela acredita no poder transformador da educação e na necessidade de se discutir os temas do Lab. Experimental com os jovens.

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Zildete Araújo – São Paulo/SP

Estudante do último ano de Ciências Sociais, professora de sociologia e militante da inclusão digital e social, Zildete viu no Lab.E a chance de ampliar seus conhecimentos, aprender a se articular em rede e compartilhar com os alunos o que for aprendido no processo.

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Lab.E em São Paulo, Campinas, Brasília, Goiânia e Macaíba

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Na segunda edição do Lab.E, somos uma equipe de 8 oficineiros experimentando hackear as escolas com arte e cultura de rede, espalhados pelo Brasil: Rodolfo Hollanda, de Macaíba/RN, Luiza Helena, de Goiânia, GO, Valdir Alves Costa Filho, de Brasília, DF, Roselene dos Anjos, de Campinas – SP, Zildete Maria de Araújo, Gabriela Nardy, Carmem Munhoz e Jaqueline de Mello, São Paulo -SP.

Continuação do Lab.E

Caros amigos:

Queria agradecer cada um pelo esforço empregado nessa primeira parte do processo, pelas ideias trocadas por mensagens, reuniões, divulgação do projeto, partipações por skype e muito mais…
O lab teve em sua primeira edição 9 participantes e 8 intervenções culturais (aproximadamente 1700 crianças e adolescentes atingidos diretamente nas intervenções nas escolas e ONGs). As trocas de conteúdo entre os participantes foi um dos pontos mais legais e enriquecedores do processo.
Diante da vontade de manter o projeto e torná-lo sustentável, decidimos investir mais tempo nessa ideia! Vamos ter algumas mudanças no projeto. O nome: vamos trabalhar a partir de Laboratório Experimental – assim temos mais território para desenvolver outros projetos relacionados a arte, cultura e educação.
Outra ideia é também abrirmos um projeto de pesquisa de comportamento cultural por internet (surpresa!)
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Começamos a segunda edição há três semanas e estamos nos encontrando virtualmente toda quarta a noite. Enfim, estão todos super convidados a continuar integrando o Lab Experimental e estamos abertos a dúvidas, sugestões e tudo mais!
abs,
Jonaya de Castro

 

Matéria na Porvir

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O espaço onde a construção começa é virtual. Essa é uma das poucas certezas absolutas que fazem parte do Lab.E, o Laboratório de Criatividade, Narrativas e Ação nas Escolas que até o dia 5 de julho está com o seu segundo edital aberto para selecionar interessados, de qualquer parte do Brasil, em desenvolver processos colaborativos com jovens e que bebam na fonte da cultura hacker.

 

Depois da fase de inscrições e da seleção dos 12 oficineiros, tudo passa a ser uma construção, na web e fora dela. Onde e como vão desembocar as ideias, pesquisas e projetos amadurecidos nas 12 oficinas semanais de formação a distância definidas no cronograma não é possível prever no início dos três meses de trabalho. “O que a gente busca como norte é uma intervenção real, organizada pelo oficineiro e pelos participantes das escolas ou comunidades culturais trazidas ao projeto por ele”, explica Jonaya de Castro, coordenadora geral da iniciativa. Os encontros presenciais dos oficineiros com os jovens também são semanais, e neles se desenvolvem as propostas de intervenção local, que devem buscar reflexão e impacto efetivo no espaço que compartilham.

Uma feira, um festival, um mutirão ambiental, uma exposição, um encontro para desenvolvimento de um aplicativo, um produto colaborativo. Qualquer solução que caiba no interesse dos grupos do Labninja pode ser viabilizada. O projeto não destina verba aos participantes e tem como força motriz a mobilização sustentada em formação de rede. “A primeira questão que surge, lá no começo das conversas é: mas nós vamos fazer isso onde? Em que local? E aí vem a discussão sobre todas as possibilidades da cidade, sobre o espaço público. Foi muito interessante ver essa questão ser quase ‘descoberta’ pelos participantes na primeira edição do laboratório”, conta a coordenadora Jonaya.

As intervenções do primeiro Labninja estão acontecendo agora. Em Florianópolis, a discussão resultou em um mapa afetivo da cidade, criado pelos jovens a partir da associação entre lugares e sentimentos que os espaços públicos lhes despertam. Já em Fortaleza, a escolha foi por ocupar e revitalizar um jardim público. Em São Paulo, a intervenção está sendo planejada em formato de exposição fotográfica, e exige que cada um retrate, em imagens, o seu olhar sobre a metrópole. Nas oficinas pelo Brasil, diferentes caminhos são traçados a partir desse eixo temático “espaço público” e dos outros três que baseiam o laboratório: remixologia, mídia livre e  modelos de organização.

A remixologia, esse conceito tão significativo na cultura livre, está presente para garantir que ninguém vai usar fórmulas ou conceitos prontos se essa utilização não fizer muito sentido. “Na primeira turma do Labninja, tivemos convidados para conversar com os oficineiros. Em duas das conversas, o tema ‘movimentos sociais’ foi abordado sob olhares completamente diferentes por dois dos convidados. Os oficineiros ficaram um pouco confusos. Expliquei que não havia o certo e o errado, e que remixar era justamente pegar o que para eles fazia sentido em cada uma daquelas visões apresentadas pelos convidados e construir a própria abordagem, influenciados por sua vontade, pelo ambiente em que estão”, explica Jonaya.

 

 

Última reunião Lab.E #turma10

“Como o Lab.E começou?
Já me perguntaram isso uma porção de vezes… e cada vez eu dou uma resposta diferente porque é difícil saber onde as coisas começam. Pra mim começou mesmo no dia 25 de fevereiro, na divulgação dos participantes da #turma1.

Mas também já tinha começado lá atrás, em 2007, na turma do Raulzito que coordenei no CEU Três Lagos, lá no Grajaú. Reunir 47 adolescentes para o trabalho coletivo, mixar equipes de música, dança e teatro, trabalhar juntos e sair em temporada nos 25 CEUs da época. Foi quando percebi que o que eu gostava mesmo de fazer era gestão de turmas de produção cultural (ou bagunça organizada). Criar vínculos que vão além do tempo e espaço presentes, vínculos de afeto a partir do fazer artístico. E todos somos artistas, né Joseph Beys?

Mas ali foi sementinha, guardada que depois foi brotando com o nascimento do Ônibus Hacker, no faça-você-mesmo e nos aprendizados com cada uma das cartas desse baralho incrível que fazemos parte. Em um jantar na minha casa, com o rei de Copas, a Rainha de Paus, o Rei de Espadas e o Coringa, poisé, colocamos perguntas na Caixa de Pandora (e de onde saíram os quatro eixos do Lab.Experimental).

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E a roda da vida não pára. Volto no túnel do tempo para 2011 e lembro do encontro com uma bruxinha linda de Barcelona, que me levou para integrar a Catedra Unesco de Cultura. A vivência fora do Brasil só me deu mais vontade de voltar logo e ajudar a construir meu país. Ou até a minha identidade latinoamericana. Depois veio Fortaleza, Venezuela e as vivências nas Casas Fora do Eixo. Numa dessas conversas infinitas, surgiu o nome ninja. Foi colocado para votação na lista de email e a galera curtiu.

Mas as pessoas que estavam ali naquela lista eram os entusiastas, os que botam pilha mas não os que põe a mão na massa e vão hackear as escolas. Então, para achar esses magos, abrimos o primeiro edital, que chegou a 127 inscritos para participar de algo experimental, e que nem eu mesma sabia o que iria ser. Só sabia que estava apaixonada pela ideia e que dali pra frente todas as minhas terças de manhã se chamariam labninja.

Foram 12 reuniões todas as terças de manhã, com muitos convidados especiais, debates, processos, metodologias, conteúdos, técnicas e ação! Lets remix!

Hoje chegamos na reta final da primeira formação de oficineiros do labninja. Somos em 10 resistentes. Me despeço desse episódio com muito entusiamo (do grego en + theos, literalmente ‘em Deus’) e que significa inspiração!! Obrigada a cada um pela presença (principalmente aos corajosos oficineiros). Alteramos no nome do projeto para Lab Experimental e o próximo edital está aí! Lets remix tudo de novo ” Jonaya de Castro