O labExperimental está realizando uma pesquisa sobre formas criativas de financiamento a projetos sócio-culturais, que foi contemplada no EDITAL PROAC Nº 29/2015 – ECONOMIA CRIATIVA e tem como foco pesquisar novos modelos de financiamentos, com prioridade em modelos participativos e de responsabilidades partilhadas (crowdfunding, matchfunding, crowdsources, dentre outros).

Quer saber mais? Manda um email pra gente no lab@labexperimental.org com “TO CURIOSO” no assunto

workshop cyberquilombo março 2016

As INSCRIÇÕES vão até 13 de março de 2016 no link

RESULTADO SERÁ PUBLICADO no dia 14 de março de 2016

O edital é destinado a interessados em desenvolver habilidades de arte-educação, educomunicação e processos colaborativos no tema “Africanidades”, em conjunto com adolescentes, jovens e adultos em escolas e centros culturais.

Serão selecionados 20 inscritos (10 em São Paulo e 10 em outras cidades do Brasil), que desenvolverão o workshop com treinamento da equipe do LabE. Podem se inscrever para o processo de formação maiores de idade. O workshop é gratuito.

Dia 16.03.16, WORKSHOP PRESENCIAL em SAO PAULO, das 18 as 22h, nos quais será discutido quatro eixos temáticos – modelos de organização, ocupação de espaços públicos, mídia livre e remixologia – que fazem parte do laboratório de criatividade e cultura digital e conteúdos da temática afro que contextualizam os participantes e auxiliam a pensarem a melhor forma de gerar uma ação comprometida com a importância e complexidade do tema.
DIA 17.03.16, WORKSHOP ONLINE para cidades do Brasil, das 18 as 22h, de formação à distância, via hangout, nos quais será discutido quatro eixos temáticos – modelos de organização, ocupação de espaços públicos, mídia livre e remixologia – que fazem parte do laboratório de criatividade e cultura digital e conteúdos da temática afro que contextualizam os participantes e auxiliam a pensarem a melhor forma de gerar uma ação comprometida com a importância e complexidade do tema.

A seleção se dará em 2 etapas: analise técnica das inscrições, com valorização das redações sobre as duas videoaulas (conforme formulário) e CONFIRMAÇÃO POR EMAIL ou HANGOUT com os candidatos.

Videoaulas CyberQuilombo

Mais infos:
labexperimental.org

DÚVIDA
entrar em contato com lab@labexperimental.org

Videoaula: “Espaço Público e Memória”, com Alexandre Bispo

“Quem memoriza, memoriza contra o esquecimento. O Emanuel Araujo, idealizador do Museu Afro Brasil, fez uma exposição chamada “Para nunca esquecer”, justamente chamando atenção pro processo de esquecimento das trajetórias de populações negras no Brasil”.

Espaço Público e Memória“, com Alexandre Bispo,Doutorando em Antropologia Social pela Universidade de São Paulo, Diretor da Divisão de Ação Cultural e Educativa do Centro Cultural São Paulo. Membro do conselho editorial da revista Omenelick 2º Ato, é a sexta videoaula do CyberQuilombo, Curso de Formação Online de Oficineiros LabE, que remixa africanidades com cultura digital.

“Quando a gente pensa na quantidade de homens e mulheres negras que morreram no Brasil, que é muito assustador, são mais de 4 milhões de pessoas ao longo de 300 anos, a gente pode o seguinte: nossa como que a gente faz pra lidar com esse trauma histórico dentro do nosso pais? Uma das ações que a gente tá fazendo de reconhecimento dessa memória violenta, por exemplo, é a criação de cotas, uma das maneiras da gente reparar ações de larga escala de violência contra uma população.”

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Sobre o contexto de ocupação do espaço público, Bispo diz: “a gente tem memórias sendo produzidas. Essas memórias, elas estão dentro da cidade, elas identificam a cidade. Agora, para que as memórias continuem fazendo sentido as pessoas precisam saber que elas existem. Quando a gente pensa nos descendentes de italianos, nos descendentes de alemães no Brasil, eles tem todo um orgulho de falar do passado deles. Sem contar que gostam de falar que o bisavô chegou aqui, passou pela hospedaria dos imigrantes…  toda aquela narrativa de sucesso também. A Pompéia, por exemplo, se a gente for ver os nomes das sua ruas é muito significativo, você vai ver toda uma parte da Pompéia que é de ascendência italiana. (…) E os nomes negros a gente tem? (…) Quantas pessoas será que sabem que a Avenida Rebouças e a Rua Teodoro Sampaio homenageiam homens negros? Talvez essa fosse uma boa pergunta pra gente se fazer.”

#CYBERQUILOMBO

>>Queremos facilitar a aplicação da lei: 10.639/03

Com base na Lei nº 10.639, assinada e promulgada em 2003 que define que a temática afro-brasileira é obrigatória nos currículos dos ensinos fundamental e médio, pretendemos,  a partir das oficinas e intervenções promovidas pelos oficineiros participantes do CyberQuilombo, aplicar pílulas de ações dentro das escolas que promovam reflexões sobre a importância da participação do negro na nossa sociedade.

Dentro das discussões pedagógicas em torno da lei são identificados diversos desafios para o cumprimento pelas escolas. Um deles é a falta de material dos professores para abordarem o assunto de maneira teórica e prática sem reproduzir os preconceitos existentes nos livros didáticos que narram a história do negro através de um olhar branco eurocentrista. Partindo dessa informação, pretendemos através das vídeo-oficinas a partir da documentação das falas dos palestrantes convidados contribuir com processo de criação de conteúdo sobre a temática afro, a fim de que as mesmas possam ser utilizadas para estudos online de professores do ensino básico interessados em aplicar a lei 10.639/03, e estudiosos e curiosos em geral.

O LabExperimental é um projeto online de formação livre, pautado no debate de cultura de rede, sistematizado em quatro eixos: modelos de organização, ocupação do espaço público, mídia livre e remixologia. De 2013 a 2015, produzimos 5 edições do curso de formação online.

Feminismo Negro e Filosofia – Djamila Ribeiro no Mulheres na Política

“É importante pensarmos no conceito político da interseccionalidade. O conceito já havia sido trabalhado há muitos anos pelas feministas negras mas em 89 a Kimberlé Crenshaw deu um nó… que é pensar em como as opressões se entrecruzam, são combinadas e que não dá pra pensarmos as categorias de formas isoladas (…) porque raça indica classe. E o racismo cria uma hierarquia de gênero, colocando a mulher em uma posição desfavorável (…) não dá pra pensar de forma separada (…) como pensar é que você pensa classe sem pensar em gênero?”, explica Djamila Ribeiro na oficina.

Feminismo Negro e Filosofia é a video-oficina de Djamila Ribeiro, ativista e mestre em filosofia, no curso Mulheres na Política.

“A gente não é vista como alguém que pode produzir conhecimento e isso é ruim pra nós [mulheres negras]. A gente não é vista nesse lugar… porque a sociedade o tempo todo nos coloca em um lugar de inferiorização, subalternidade ou no lugar da exotização. De ser a mulher boa de cama, a mulher quente ou a mulata do carnaval. Vistas por esses esteriótipos, que nada mais são do que modos de nos manter em um lugar subalterno e que também tira a nossa humanidade”, debate Djamila durante sua fala. O vídeo ainda traz diversas citações de filósofas feministas 🙂

“Fomos educadas para respeitar mais o medo do que a nossa necessidade de linguagem e definição, mas se esperamos em silêncio que chegue a coragem, o peso do silêncio vai nos afogar”, Audre Lorde.

MULHERES NA POLÍTICA

O Mulheres na Política foi um curso de formação livre do labexperimental.org, destinado a interessades em desenvolver habilidades de arte-educação, educomunicação e processos colaborativos em conjunto com adolescentes, jovens e adultos em escolas e centros culturais sobre igualdade em direito de gêneros.

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O curso livre “Mulheres na Política” aconteceu de 17 de agosto a 20 de outubro de 2015 com 12 participantes de várias cidades do Brasil, de norte a sul.

 

“Memória e Espaço Público” no #CyberQuilombo_SP

Na quarta-feira passada, dia 02 de dezembro, recebemos o Antropólogo Alexandre Bispo, para um bate papo sobre “Memória e Espaço Público”, no terceiro encontro do ‪#‎CyberQuilombo_SP‬

Alexandre, que é coordenador do Núcleo de Ação do Educativa do Centro Cultural São Paulo e foi curador da Exposição Medo Fascínio e Repressão, sobre o e perseguição sofrida pelos terreiros de Xangô em Pernambuco, na década de 30, comandou a roda de conversa sobre a importância de se ter monumentos que retratam a história do negro no Brasil, e como esses monumentos podem ajudar a manter vivas essas histórias.

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Bispo, mostra album de fotos de familia negra paulista que ele pesquisa.

Outra questão importante levantada foi o fato de nomes de personagens negros que tiveram importante participação na história do Brasil serem apagados da história, ou quando esses tem seus nomes reconhecidos, o imaginário racista que permeia nossa sociedade trata de embranquece-los. Fato que, por muitas vezes, dificulta com que esses nomes sejam associados aos movimentos de resistência negra. Deixam também de cumprir uma função fundamental na formação da identidade de qualquer grupo, que é a representatividade e a referência de figuras positivas na história.

Lembramos também algumas ruas de São Paulo que levam nomes de personagens negros importantes, mas que muitos nem sabem que são negros.

Rua Theodoro Sampaio, que fica no Bairro de Pinheiros; Av. Rebouças, que cruza boa parte da Zona Oeste de SP; Rua Machado de Assis, Vila Mariana; Rua Mario de Andrade, na Barra Funda e Rua Lima Barreto, no Bairro do Ipiranga.

Ser presidente ainda é “coisa de homem”

Artigo de Flávia Romagnoli (feliz pela atuação política partidária que estou colaborando para renovar e integrante do #mulheresnapolitica)

No ano de 2003 disputei e ganhei a Convenção Municipal do PHS em Londrina, sendo eleita Presidente do Diretório Municipal.

Fui inserida no cadastro da Associação Comercial para receber correspondências, fato corriqueiro, sem maior conotação.
Ocorre, que ao revisar o cadastro, interpretaram que Presidente de Partido seria um HOMEM, então mudaram neste cadastro meu nome de FlaviA para FlaviO. Em nossa sociedade política partidária, ser presidente ainda é “coisa de homem”. Olha a etiqueta da revista que recebi hoje!!  flavia romagnoli

labE de Hackerativismo gratuito

Quer aprofundar o tema de sua pesquisa com dados?

Estaremos com o LabExperimental de Hackerativismo – nessa oficina você poderá aprender mais sobre cultura digital e ativismo por meio de conceitos e técnicas de recolhimento e visualização de dados para construção de um trabalho colaborativo prático na área de transparência e dados abertos.

Onde e quando? Casa de Cultura Tendal da Lapa – 10, 17 e 24 de Novembro e 01, 10 e 17 de Dezembro, das 18:30h às 21:50h

Centro de Formação Cultural Tiradentes – 14/01, 21/01 e 28/01 e 04/02, 18/02 e 25/02 das 14h às 17h20

Inscrições pelo link https://goo.gl/9Fo1go

Ou direto no local

Proposta de workshop Inspirador

Workshop INSPIRADOR, dá pra fazer produção cultural de outro jeito

O workshop é baseado no Inspirador  (www.goethe.de/ins/br/lp/pro/Inspirador.pdf), iniciativa do Instituto Goethe e Ministério da Cultura, com conteúdo resultante de muitas rodas de conversa com produtores culturais independentes e makers para repensar e exercitar um jeito sustentável de fazer eventos culturais.

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Baixe a apresentação em pdf:

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software livre como editor de texto faz diferença na sua escrita?

( Artigo de Sávio L. Lopes, integrante do labE Cyberquilombo 1, pesquisador na área de comunicação e poder)

Comunicação, software livre e liberdade. Um dos temas que mais tem me interessado atualmente, além de ser minha área de pesquisa, é o da comunicação. No vasto universo das teorias da comunicação, há uma nobre desconhecida. É a teoria das materialidades da comunicação.

O que essa teoria tem a nos oferecer? Erick Felinto, em um livrinho chamado “Passeando no labirinto: ensaios sobre as tecnologias e as materialidades da comunicação”, definiu assim: “podem ser entendidas como uma tentativa de inserção decidida e metódica do corpo e da matéria no âmbito dos estudos culturais. Seu método de trabalho é eminentemente descritivo e não interpretativo; seu foco são os meios e as instituições que deles fazem uso; seu campo é a materialidade histórica da época em pauta (sempre percebida a partir do prisma de seus discursos e tecnologias dominantes).”

Em primeiro lugar, a teoria das materialidades da comunicação tenta se inserir no campo dos estudos culturais. Em segundo, o seu método, enquanto teoria, tem foco na descrição do fenômeno comunicacional, e não na produção de uma interpretação, ou de sentido. Em último lugar, entendemos que tanto meios (de comunicação, por exemplo, aparatos tecnológicos) quanto instituições (que não são físicas, pense na instituição “Estado” e não no prédio que abriga os servidores do Estado) possuem materialidade.

Uma questão que surge quando citamos as materialidades da comunicação é: Será que os equipamentos que utilizamos, e para ser mais exato; os meios e instituições; nos influenciam, ou ainda, nos moldam de alguma maneira?

Para tentar responder essa questão, vamos recorrer à uma história contada por Martin Stingelin. Segundo ele, o filósofo alemão, Friedrich Nietzsche, recebeu de presente uma de suas primeiras máquinas de escrever, chamada esfera de tipos, que era desenvolvida para pessoas com deficiência visual, o que em 1882, se aproximava da situação do filósofo alemão, já que estava cada vez com mais dificuldade de escrever à mão, justamente por dificuldades de enxergar.

Perguntado via carta por Stingelin sobre a influência deste novo tipo de máquina em suas elaborações frasais e conceituais, Nietzsche responde: “Você está certo – nossos instrumentos de escrita funcionam lado a lado com nossos pensamentos”. Segundo a perspectiva adotada por Stingelin, os meios que utilizamos moldam, ou pelo menos nos influenciam em alguma medida. Guardem essa resposta de Nietzsche na gaveta e vamos adicionar mais um integrante em nossa viagem.

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Figura 1: Friedrich Nietzsche

Apresento-lhes Marshall McLuhan, o filósofo canadense e autor do livro “Os meios de comunicação como extensões do homem”. Um de seus capítulos, possui o curioso título: “O meio é a mensagem”. É evidente que não nos cabe nesse pequeno texto, travar a discussão sobre o que são meios, já que o assunto é extenso e pode ser aprofundado a partir das sugestões de leitura que constam ao final desse texto.

Nas palavras do próprio McLuhan: “Primeiro moldamos nossas ferramentas, depois elas nos moldam.” Ou seja, as coisas, meios, instituições, que utilizamos, ou que projetamos, fabricamos e moldamos, também nos moldam. Tirem da gaveta a história de Nietzsche. Assim, passamos à seguinte conclusão: Se os meios que utilizamos (como a máquina de escrever de Nietzsche), trabalham junto com a gente, se eles não são neutros, (Como afirma McLuhan, que o meio é a mensagem) ou seja, possuem um lógica inscrita, usar um determinado tipo de equipamento em detrimento de outro, faz toda diferença, certo?

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Figura 2: Marshall McLuhan

E se por equipamentos e ferramentas entendermos inclusive os softwares que utilizamos? Para produzir um texto, por exemplo, utilizo, além do computador, um software de edição de texto. Se minhas ferramentas me moldam, utilizar um determinado tipo de software para produzir um texto, influenciaria minha escrita, enquanto ao utilizar outro tipo de software eu seria influenciado de outra maneira. Para costurar todas essas pontas, vamos adicionar à nossa viagem o último integrante.

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Figura 3: Richard Stallman

Conheçam Richard Stallman, hacker, criador do movimento software livre e fundador do projeto GNU. Mas afinal, qual a relação do software livre com tudo isso? Em primeiro lugar, o que é software livre? “Por “software livre” devemos entender aquele software que respeita a liberdade e senso de comunidade dos usuários. Grosso modo, os usuários possuem a liberdade de executar, copiar, distribuir, estudar, mudar e melhorar o software. Assim sendo, “software livre” é uma questão de liberdade, não de preço.

Para entender o conceito, pense em “liberdade de expressão”, não em “cerveja grátis””. Alguns parágrafos atrás, afirmamos que o meio, e nesse caso específico, o software não é neutro, que o meio é a mensagem e que os meios possuem uma lógica inscrita, lembram? Pois é, na definição de software de livre, está explicitada a lógica inscrita no software livre: liberdade.

Em contraposição ao conceito de software livre, existe o software privativo. Vejamos sua definição: “O software proprietário, privativo ou não livre é um software para computadores que é licenciado com direitos exclusivos para o produtor.[1] Conforme o local de comercialização do software este pode ser abrangido por patentes, direitos de autor assim como limitações para a sua exportação e uso em países terceiros. Seu uso, redistribuição ou modificação é proibido, ou requer que você peça permissão, ou é restrito de tal forma que você não possa efetivamente fazê-lo livremente… [2] A expressão foi criada em oposição ao conceito de software livre”.

Assim como o software livre e qualquer outro meio, o software privativo possui uma lógica inscrita. Utilizando seu conceito como base, podemos afirmar que essa é a lógica inscrita no software privativo: a lógica da restrição, da limitação, da exclusão. Aqui encerramos e deixamos a seguinte questão em aberto: Por qual lógica vocês desejam ser influenciados (para utilizar o termo de Nietzsche)? Por qual tipo de ferramenta, vocês querem ser moldados (para utilizar o termo de McLuhan)?

Quando escreverem um texto, produzirem uma peça gráfica, gravarem um vídeo, compuserem uma música, que lógica estará trabalhando lado a lado com vocês?

Sávio L. Lopes é pesquisador na área de comunicação e poder.

Para saber mais: FELINTO, E. Passeando no labirinto: ensaios sobre as tecnologias e as materialidades da comunicação. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2006.

MCLUHAN, M. Os meios de comunicação como extensões do homem. São Paulo: Cultrix, 1969.

PROJETO GNU. O que é o software livre?